Review – Luke Cage Netflix – Primeira Temporada (Com spoilers)

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Umas das coisas que adoro fazer é comentar as coisas que leio e assisto, e obvio, adaptações biblicas, quadrinhos e livros, estão no topo da lista, e hoje, vamos falar da série Luke Cage.

Vou ser direta, momentos de Altos e baixos, foi o que marcou a primeira temporada de Luke Cage na Netflix, acredito que essa foi a serie mais “mei0 pedra, meio tijolo” da produção Marvel + Netflix, a série que narra a trajetória do vigilante Luke Cage, também conhecido como Poderoso (no original Powerman) criado por Archie GoodwinJohn Romita, e George Tuska.

Trailer Luke Cage – Netflix

A historia até começa bem, nos envolve de início, mostrando onde foi parar Luke Cage após seu afastamento da Jessica Jones, e o vemos no Harlem, trabalhando na “Barbe Shop” a barbearia do Pop’s, um “coroa” que consideramos gente fina e boa, que de “bom coração”, deu um emprego ao Luke apesar dele ser um desconhecido naquele ambiente.

Com o tempo descobrimos que o personagem é ligado a sua esposa Reva, o que traz a tona mais e mais detalhes de fundo do personagem, dando a entender que tem muita coisa simplesmente imperdível para você ver, mas não é bem assim, vemos coisas bacanas, vemos, mas não é isso tudo não.

Nós temos uma série legal? hummm sim. Temos ação? humm sim também. O herói briga, dá porrada, chora e tem perdas e vitorias? Tem sim senhor.

Mas eu fiquei feliz com o resultado geral? 100% Não. Mas vamos bater papo.

O que mais senti falta foram duas coisinhas, e são elas: identificação, identificação do telespectador com a situação vivida pelo personagem, algo chamado de verossimilhança, e a referência do personagem que me foi apresentado em Jessica Jones.

Conheci um cara que mesmo aparentando ser “mulherengo”, trazia dentro de si, a dor da perda de uma esposa amada, com status de santa, quase. Dentro dele habitava muito amor pela esposa morta e revolta por não ter estado lá para salvar sua vida, da mesma forma, com o tempo esse mesmo cara tem uma paixão avassaladora por uma bela detetive particular, sensual, poderosa, que ao fim ele apenas não só descobre que essa mulher causou a morte de sua esposa, ele mesmo é dominado pelo vilão e tenta matar essa nova paixão (JJ), levando por fim um tiro de espingarda no meio da cara para poder sair do transe, dai não vemos mais o Luke Cage.

Eu esperava um homem acabado psicologicamente, ferido, buscando se erguer, ainda mais diante de tal descoberta, ele até tentou me passar isso, mas não me convenceu. Seja pela atuação do ator Mike Colter, que senti muito melhor na série que o apresentou, seja pelo roteiro passivo, a trama se arrasta a maior parte do tempo.

O Luke pensava na Reva uma vez ou outra, ou ele citava ou alguém citava, mas na Jessica, raramente, acho que duas ou três vezes a serie toda no máximo, nenhuma imagem de flash back do protagonista com a Jessica, nenhuma cena de lembrança romântica, N-A-D-A que me fizesse sentir a saudade, sentir a dor, que ligasse ao coração do personagem.

Referências ou a presença de alguns personagens acontecia, mas ao espírito do que foi iniciado na série anterior que o apresentou, aí é ficou a desejar. Teve momentos bons, claro, engraçados, esses valeram a pena mesmo assistir, musica de qualidade, bastante e boas referencias, tanto de Jessica Jones quando do Demolidor, e mais ainda ao universo dos quadrinhos do próprio personagem, como sua origem, como adquiriu suas habilidades e uniforme original, Stan Lee, Wilson Fisk, Trish Talk isso foi muito legal mesmo de ver (se divirta procurando).

Mas eu não senti a dor, a raiva ou o amor do personagem na maioria das cenas, a coisa toda tava muito distante, não se deu tempo para criar apego aos personagens, inclusive aos que foram usados para serem as perdas do personagem na sua série e primeira temporada, dando por fim essa sensação geral que a série foi lenta e carregados de altos e baixos, e vamos a eles:

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Claire e Luke

:: Pontos Baixos

Tempo de Ação – Existem momentos de pura lentidão na série, e lembrando que na escrita dialogo também é ação e deve empurrar a historia para frente, dava uma dor, ver um dialogo que parecia que ia te levar as alturas do emocional e no fim, é mais do mesmo, a coisa fica engessada, a minha sensação foi que o personagem ainda procurava sua própria historia nas mãos do autor, literalmente falando, como se o roteirista estivesse escrevendo ao vivo, pensando no que ia fazer com o personagem, não foram poucas as vezes que me peguei dando pausa e fazendo outra coisa na web tamanho o meu tédio. Foi a série que mais demorei pra assistir, porque me cansava da lentidão.

Personalidade – Tive dificuldades em me identificar com o personagem, estranhei sua personalidade, sua tendencia a esquecer seu relacionamento iniciado com Jessica, tão forte, impactante, e extremamente recheado de profundidade psicológica, para começar primeiro rejeitando uma mulher no primeiro episodio (eu considerei totalmente aceitável isso, homens sofrem por amor também pelo amor de Deus) que sempre dava em cima dele, e depois em uma noite, aceitar o interesse e se levar fácil por Misty, ou ainda dá em cima na cara dura da Claire. A coisa fica dúbia, não passa confiança do que ou de quem ele realmente gosta ou o que quer da vida.

Mudança de Perfil da HQ – Não que isso tenha sido ruim, mas começar com o discurso de “não sou um herói, apenas faço o que é certo” e temos que nos levantar e tal, não aceitando grana para fazer o bem, sendo a grana oferecida a série inteira, para mim ficou mais engraçado que emocionante, como acredito que deveria ser a intenção do autor, por que? Porque é exatamente o que o personagem fazia nos quadrinhos, “um herói de aluguel”. Ver ele negando isso, sendo mais “serio” quase o tempo inteiro, terminou me fazendo ri, não me causou emoção a principio, pra quem esta conhecendo agora, esta beleza, mas eu vim dos quadrinhos, fiquei com vontade de rir mesmo.

Claire como par romântico – Achei mal uso da personagem de ligação que ela já representa para as séries, seja Demolidor, Jessica Jones e agora Luck Cage, e quem sabe Punho de Ferro e Justiceiro né? Mesmo criticando a falta de ligação mental do protagonista com a Jessica Jones, acredito que se era para arrumar uma mulher pra ele se apegar, a Misty deveria fazer esse papel, ou que outra fizesse, mesmo rendendo momentos divertidos, como a historia do Café, mas não gostei dessa escolha, me pareceu forçada. Como falam os narradores de futebol nas rádios de Pernambuco, para mim, “não deu liga”.

Kid Cascavel – O vilão que cita a Bíblia – Mais letal, frio, em termos vilanescos ok, mas achei Irritante e repetitivo, se eu for contar quantos personagens eu já vi vendo esse mesmo papel, é vilão, faz miséria, rouba ou mata e cita a Bíblia para reafirmar suas decisões. A luta final então, foi duro de aguentar aquilo, brincadeira, não deu emoção em mim, as pessoas gritando “vai Luke, você consegue!” e eu “tá”.

Personagens como Shades e Turk Barrett, vindo direto de Hell’s Kitchen para uma visita me alegraram mais.

Mike Colter – (Luke Cage – ator) Senti bem diferente de Jessica Jones em termos de atuação, onde o personagem foi apresentado, por vários momentos senti sem expressão, a dor que ele sentia, não era passada para mim, a face era a mesma pra maioria das sensações, achei que podia ter dado mais em vários momentos, ele podia dar, vi isso na série anterior, mas não deu, chorando então, foi barra de engolir.

Misty

:: Pontos Altos

Misty (Detetive) acredito que foi uma das melhores personagens da série, inclusive a atuação da atriz Simone Missick, essa sim passava o emocional esperado, uma agente da lei que procura fazer o certo, mas precisa lidar com a política, a chantagem, e a desonestidade dentro da própria lei e justiça que busca defender. Soube nos mostrar seus medos, frustrações e perdas, nos prendeu com a bela descoberta de sua personalidade forte que deseja ter o controle de tudo ao seu redor, e sua queda ao perceber que não tinha esse controle como ela pensava ter, gostei demais da personagem.

Cornell Stokes  – Eu conheci o ator Mahershala Ali na série 4400, gosto dele e ele mandou bem! O primeiro antagonista de Luke é chique, sofisticado, sabe ser mal com um belo sorriso no rosto, podia ter sido um pianista de renome, tinha dom e talento, mas o meio em que vivia e suas posteriores decisões lhe tirou isso, tanto o ator quando o personagem foram bem desenvolvidos e deu valor a série a cada aparição.

Claire (Enfermeira Noturna) – Fez seu papel de ligação bem, apesar de achar que foi mal usada pela serie no quesito pessoal, ela sozinha traz referencias de duas séries nas costas já, tem se tornado uma personagem de peso a cada aparição, originalmente a Claire é de fato personagem do universo do Luke Cage, então é normal que ela esteja presente, mais que justo, mas diante de tudo que foi construído eu não queria ela convertida a par romântico do personagem, ela já é personagem importante ligando vários heróis, mas livre de “amarras forçadas” seria melhor. Outro ponto na aparição da personagem que curti muito foi a sua mãe (Sônia Braga).

Mariah Dillard e o Núcleo Feminino – As mulheres tiverem excelente participação na série, todas de forma impactante, ou com certo grau de importância, é um ponto alto que precisa ser elogiado, não importa se mocinha ou bandida, foram bem construídas e tiveram bom tempo de tela, Mariah, então, cresceu na série e promete deixar as coisas ainda mais interessante na segunda temporada.

Reva Connors – Ao contrario de muita gente que achou o final uma reviravolta, que pra mim não foi, achei normal aquele final, vi como reviravolta o que foi feito com a esposa do Luke, ainda em Jessica Jones eu desejei isso, seria interessante se essa mulher na verdade… e você que assistiu sabe do que estou falando, foi bacana conhecer mais da Reva e entender assim mais da origem do próprio Luke, foi aberta uma porta gigantesca em termos emocionais para o protagonista da série, vamos ver o que acontece na segunda temporada.

Movimento Negro e o Hip Hop – Foi um dos pontos altos da série, diversas referencias ao movimento negro, personagens, personalidades como Malcolm XMartin Luther King foram citados, entre outros, seja em fotos, musicas, livros sendo lidos durante a série, a memoria da luta racial na America foi apresentada,  e mais importante reconhecida e valorizada.

Como falei, no GERAL, teve altos e baixos, mas no TODO, foi uma boa série, uma boa temporada, tem bastante coisa para melhorar sim, precisa evoluir muito, mas acredito firmemente que as críticas negativas recebidas hoje irão trazer melhora já na segunda temporada, e veremos um personagem mais firme, ciente do que realmente deseja e precisa, e quem sabe colocados no lugar em que realmente devem estar. Fico na torcida por essa evolução, e a você fica a dica para assistir mas sem criar muitas expectativas, você pode curtir muito ou não gostar, aí esta tudo bem, sem problema, o que não vale, é perder.

Finalizo com a melhor frase de toda a série: “Os negos do Harlem estão descontrolados. Vou voltar para Hell’s kitchen que é seguro.” 

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