O “Humor brasileiro” esta perdendo a graça.

Eu cheguei a acompanhar por varias vezes o Programa CQC e até gostava da forma com que eles desenvolviam suas entrevistas aos políticos e artistas que se acham “o deus”, mostrando como eles por vezes são arrogantes e muito aquém da capacidade intelectual que a maioria julgava, mas depois de um tempo, aquilo que servia de alerta, e de denuncia, virou uma verdadeira bagunça, frases de menosprezo e baixaria sem necessidade, e pra piorar alguns dos apresentadores, literalmente fazem suas necessidades básicas pela boca.

Umas das últimas besteiras do Rafinha Bastos foi esse infeliz comentário, tratado como piada: “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço“, disse o “humorista”.

Dá pra acreditar nesse povo? Uma total e absurda falta de respeito com o próximo, com a dor do outro, quantas pessoas já sofreram esse abuso ou têm em sua família alguém que sofreu uma agressão dessas e um rapaz que acha que sabe tudo, fala uma besteira dessas. Pelo amor de Deus.

Eu acho curioso como essas atitudes são deixadas de lado com o tempo, as pessoas até não gostam, mas continuam dando audiência pra esses programas, vivem do “deixa pra lá, já passou”. Parece que não tem nada melhor pra fazer na vida, minha dica? Vai ler um livro, ver um filme, vai fazer uma pesquisa, vai ler a Bíblia, faz alguma coisa que não valorize a existência desse tipo de atitude, como a desse rapaz, porque se ele é assim, se existem esses programas é porque tem quem dê audiência pra isso, e se você reclama, comece fazendo diferente, como desligar sua televisão ou no mínimo mude o canal da sua TV.

Fica aceitando essas atitudes como normal e continuar dando audiência é que não dá.

Segue abaixo um texto que foi publicado no site Genizah sobre esse infeliz comentário do Rafinha Bastor que deu muito o que falar, o site traz o texto de Silvania Chaves para o Portal Comunique-se com comentários de Danilo Fernandes.

A presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina São Paulo (CECF), delegada Rose Corrêa, disse em entrevista ao portal Comunique-se que se dispõe a esclarecer e orientar o humorista do CQC a respeito do trauma causado pelo estupro a uma mulher, após o humorista ter feito uma ‘piada’ sobre o crime.

Se ele nunca viu o estado que uma mulher fica depois de ter sido estuprada, eu me disponho a levá-lo em qualquer Delegacia de Proteção à Mulher para que ele veja de perto o que é isso, como é isso e não faça piadas com um assunto tão delicado.”

Em um de seus shows de comédia stand-up em São Paulo, o comediante proferiu a seguinte ‘piada’ – que foi citada em reportagem da revista Rolling Stone de maio deste ano: “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço“, disse o humorista.

Rose Corrêa critica ainda as palavras irreverentes usadas por Rafinha Bastos ao tratar do tema: “Essa forma de falar a respeito de um assunto tão sério mostra uma falta de senso, de cautela. Porque só quem viu o estado que uma mulher que é estuprada fica, sabe como é. E eu sei como é isso porque eu fui a fundadora da Primeira Delegacia da Mulher no Estado de São Paulo e atendia por 12, 13 horas diárias mulheres vítimas de estupro. Sabe, isso abala a estrutura da pessoa, destrói casamentos, marca demais a vida de quem passa por essa situação. Fora o constrangimento que a mulher passa em todo o processo”, reforça a delegada.

Repúdio
A polêmica declaração levou a Secretaria de Políticas para as Mulheres e o Conselho Estadual da Condição Feminina São Paulo a publicarem notas de repúdio contra as declarações do humorista.

Em seu pronunciamento, o CECF afirma que a ‘piada’ feita por Rafinha Bastos é de conteúdo machista e preconceituoso, além de encorajar os homens a praticarem a violência contra a mulher, que na Constituição Brasileira, é considerada crime hediondo.

Rafinha se defende 

Em contato com a nossa reportagem via e-mail nesta manhã, o apresentador afirmou o seguinte: “Se os comediantes tiverem que responder por toda piada que fazem, não vão ter tempo pra mais nada na vida. Nem pra fazer comédia”.

Comentário de Danilo Fernandes

Eu faço humor e às vezes exagero, o que é o risco de qualquer forma de expressão.  Tanto mais se a sua audiência é grande e o humor é usado para encorajar as pessoas a se engajarem em causas relevantes, denunciar desmandos e crimes, alertar enganados. Sempre haverá alguém incomodado, a começar pelos enganadores, risos.

Humor, como tudo na vida. deve ser usado com sabedoria. Entretanto, alegar que o humor censurado deixa de ser humor e o mesmo que dizer que a policia controlada deixa de ser polícia. Ora, a polícia serve a nossa segurança, se passa a servir o mal, passa a ser elemento de insegurança. Isto vale para tudo na vida.

O sr. Rafinha é mais raso ainda. Alega que se usasse de sabedoria no humor não teria tempo para mais nada, o que em outras palavras significa confessar que é tão estúpido que se fosse pensar um pouquinho sobre o que diz e faz não teria tempo para mais nada, nem mesmo para pastar. Passou atestado de idiota e reconheceu firma no cartório da insensatez.

O humor é também uma forma de expressão a ser usada na defesa de causas maiores. Uma das mais relevantes e com a vantangem de não ser violenta, ao contrário faz rir e pensar.

Contudo, mesmo aqui deve ser usada com sabedoria. Não é o caso do que ocorre com Rafinha Bastos, Danilo Gentilli do CQC e a turma do Pânico,  ultimamente.

Há muito eles ultrapassaram a boa fase da crítica política e social e hoje estão empenhados na exploração da pornografia da fórmula do escândalo puro e simples – quem vai chocar mais.

Já os vi brincando com o holocausto dos judeus, Jesus Cristo (o verdadeiro, não o dos apóstolos picaretas de hoje) e a dignidade humana. São piadas racistas a toda hora e outras bizarras, em especial com as mulheres que são tratadas como carne de açougue.

Outras servem apenas ao extremo mau gosto. Outro dia, vi uma mulher que ao entrevistar alguem, do nada, arrota e flatula na presença do convidado. Esqueça os bons modos, a moça merecia o convívio dos porcos.

Em resumo, Rafinha, sinto muito, foi boçal. Ofendeu o humor como arte, bem como, a racionalidade.

Não creio, mesmo, que todo humor tenha de ser engajado. O humor também serve a alegria, pura e simples. Contudo, quando humor serve ao mal, como é o caso do desprezo à dignidade da mulher, racismo e ao incentivo a violência social, o humor nada mais é do que um presente de Deus para a alegria do homem usurpado pelo diabo para a destruição. Assim mesmo. Da mesma forma que o sexo entre os casais que é para a nossa alegria é deturpado pela pornografia e a prostituição.

Com o prestígio do Sr. Rafael Bastos às alturas, sendo considerado a pessoa mais influente do twitter mundial é reflexo claro que os valores mundanos estão no esgoto mesmo.

Rafinha, faça piada dos governantes, políticos, corruptos, ladrões, etc. respeite as vitimas de violência, as mulheres, os perseguidos… Fico a imaginar se a sua filha fosse vítima de estupro seguido de morte, se o senhor iria suportar se, no cemitério, alquem lhe perguntasse se ela se divertiu? Deus tenha misericórdia!


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